sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Rejeição

Aprendemos cedo, talvez muito cedo, o sentido de rejeição. Muitas vezes antes mesmo de sabermos quem nós somos, aonde estamos, em algum momento experimentamos essa sensação. Talvez você nem se lembre, nem tenha consciência do quando foi doloroso, mas um dia, quando você é adulto e acha que é forte o suficiente, ela surge outra vez.

Não é a primeira vez que você sente aquilo, e você sabe. De onde eu conheço essa dor? Da barriga da minha mãe? Da escola? Do primeiro menino que você olhou? Ou talvez do seu pai, que estava tendo um dia ruim, quando você o abraçou e ele não correspondeu.

Não importa. Porque no momento em que ela aparece, você a reconhece a quilômetros de distância. E você treme por inteiro, porque sabe o quanto aquilo tem um poder devastador.

Quando eu vejo acontecer, a tal da rejeição, que aparece em tantas diferentes formas, fico fascinada por ela. É incrível sua força. Sua magia... Uma magia negra talvez, porque corrói e machuca.

Eu já vivi essa magia tantas vezes. Algumas sendo rejeitada, outras rejeitando. E os dois lados tem um gosto doce e amargo ao mesmo tempo, que não nos deixa dormir.

O que é pior? Eu fico me perguntando... Porque eu simplesmente abomino a idéia de alguém por ai se lamentando por minha causa. Não porque eu sou uma ótima pessoa, nem porque sou bondosa e não gosto de ver o sofrimento alheio. Mas especialmente porque eu detesto sentir pena. A pena vem quase como um pacote da rejeição quando você sabe que está rejeitando alguém. Porque existem os casos em que você nem nota, nem se da conta da dor do outro... Mas geralmente, você sabe. E a pessoa fica ali, se lamentando, e te olhando com olhar de cão abandonado. E mesmo quando ele não está te olhando, você sente aquela nuvem de auto-piedade em torno da pessoa. E quanto mais ela sente pena de si mesma, menor ela fica e menos você consegue notá-la...

E de repente, quando eu já estou cheia daquela sensação, eu percebo que talvez, ou certamente, em algum momento da minha vida, de toda a minha existência, eu estive ali, naquele lugar. Mais de uma vez. Me sentindo pequena, impotente, frágil e merecedora de pena. E a idéia de estar do outro lado me fez sentir mais humana, me fez sentir empatia e fez a pena desaparecer. Porque existe um lado bonito na rejeição. Um lado que não carrega pena, nem pequenez. Um pacote completo com coragem o suficiente para se arriscar a parecer tudo aquilo que não queremos, a nos expor e ter orgulho de termos tentado, de termos buscado o outro, quando ele não estava suscetível, e aquela visão negativa do outro, do rejeitado, passa a ser admiração.  E quando você consegue admirar alguém num momento de fragilidade, você consegue se libertar o suficiente para nunca mais sentir pena de si num momento de rejeição. Uma amiga já me disse... o não você já possui. Estamos sempre na busca por um sim.

2 comentários:

  1. Amei esse post!!! Rejeitar ou ser rejeitado?? Não dá para escolher o que é pior. Rejeição é difícil de engolir, a gente sempre acaba procurando uma explicação e no fundo sabemos que não tem explicação, simplesmente não era a pessoa certa. Não dá para culpar a pessoa que nos rejeitou, achar que é um sacana, porque já fizemos isso também, e na maioria das vezes não tivemos a intenção de magoar. Disse na “maioria das vezes” pq que atire a primeira pedra quem nunca teve o gostinho de dar uma desprezada em alguém que um dia nos rejeitou!!
    Mas é difícil lidar com a rejeição, é difícil não se sentir insignificante, é difícil ver alguém sofrer por nossa causa...mas a vida é assim, estamos sempre procurando a pessoa certa, e as vezes a gente se engana. E só!!!

    ResponderExcluir
  2. Sim sim.. É horrível..
    Mas alguém precisa buscar a sua felicidade.. Prefiro ser rejeitado a ser aturado...

    E penso que.. Não sei o que é pior!
    Com uma, você sente.. E com a outra, você pensa..
    Bem difícil!

    ResponderExcluir