sexta-feira, 4 de setembro de 2009

... O que eu não quero. Final

4. Perder o controle.

“Ninguém gosta de perder o controle... é um sinal de fraqueza. Não importa o quanto você luta, você cai. E isso é muito assustador...”
[Meredith Grey – Grey’s Anatomy]

Eis um tema que não gostamos nem de pensar... Porque amamos nos enganar e fingir que controlamos tudo o que acontece em nossa vida.
Controlamos nossas finanças, nossos empregos, horários... Somos controladores excêntricos e nos sentimos seguros e confortáveis quando “estamos no controle” das coisas. Mesmo que isso não seja um fato realmente. Talvez por isso seja tão difícil se relacionar com outras pessoas. Afinal, infelizmente nós não controlamos as outras pessoas, não controlamos o que elas pensam de nós, o que elas querem, o que elas sentem. E pior que isso. Não controlamos o que nós sentimos também. Ou você é uma daquelas pessoas que acreditam que sabem muito bem o que sentem, por quem e quando sentem? Eu conheço algumas pessoas assim. Me garantem eloquentemente que se não quiserem, não se apaixonam, que sabem que não fariam isso, que fariam aquilo, que não agiriam de forma irracional, que nós somos humanos e que isso é o que nos difere dos animais... Interessante, penso eu. Então quer dizer que todas aquelas mulheres que choram e sofrem e se envolvem com pessoas erradas e todos aqueles homens que se magoam, se decepcionam, se descabelam... todos eles (todos nós) fazem isso de forma racional? Se entregam voluntariamente ao sofrimento, por livre e espontânea vontade? Ou por esporte? Será que Freud explica essa?
Não sei quanto à você, mas hoje eu acho que não. Acho que a vida não é tão simples para ser explicada de uma forma tão superficial. Já fui do tipo que via uma mulher se desdobrando pra manter uma relação e pensava “ Que otária! Meu Deus. Não tem amor próprio, não é possível, que burra, que cega, que idiota...” . Pois é. Já pensei assim. E que beleza como a vida age, pois eu literalmente cuspi pra cima e caiu bem no meu nariz.
Porque um dia, sem nenhum aviso, sem nenhum sinal, sem que eu pudesse me dar conta a tempo, lá estava eu, desesperada e sem controle. Sem controle MESMO. Uma descontrolada. Parecia aqueles sonhos, que um minutos você está num lugar e de repente se vê em outro sem mais nem menos. E fica pensando “Aonde eu estou? Quem sou eu?”. Aquelas perguntas básicas para uma louca perdida na vida.
Acontece que um minuto eu estava conhecendo um cara [Juan Instável]... Um cara que estava lá, que não tinha nada de mais e eu comecei a sair com o intuito de sempre. Me divertir, me satisfazer, me entreter. Um cara comum, que na minha cabeça, na minha estúpida ilusão, eu estava completamente no controle. Três meses, um namorado incrível e uma vida perfeita depois, eu ainda me sentia perfeitamente controladora. Me sentia esperta, capaz, conquistadora.... Não que eu não tivesse sido, ele realmente me amava também. Mas a coisa do controle passou a ser muito importante pra mim, cada vez mais e mais...
E de repente, no meio da nossa rotina perfeita, uma catástrofe acontece. Eu percebo que eu não controlo ele e eu não controlo A MIM principalmente. A ficha caiu... eu não controlava mais nada. O que eu sentia, o que eu pensava, o que eu FALAVA. Eu parecia um tsunami de emoções, e eu tinha me transformado no tipo de mulher que eu mais detestava e ridicularizava. A ciumenta, a maluca, a irracional, a chorona!!!! Era detestável... e triste. Triste que eu tivesse sido tão mentirosa e hipócrita comigo mesmo. Triste porque era doloroso demais não conseguir me controlar. Não conseguir controlar o pensamento do outro, não conseguir ser racional em relação a mais nada. Me sentia minúscula. Impotente.
E me odiava por ter sido tão arrogante a ponto de ter que passar por tudo aquilo pra entender que as pessoas não tem controle. Que nós não somos seres humanos, superiores, inteligentes, racionais... Nós somos meros animais, que se perderam quando tentaram achar razão dentro dos sentimentos. Eles são muito maiores e mais fortes que a nossa razão. E muitas vezes na vida, você vai sentir que não tem controle sobre as coisas que vão acontecendo. E você vai se perguntar incessantemente “Em que ponto eu perdi o controle??”. Não porque você é fraco, não porque você é burro... porque você é humano e por mais que tente negar pro resto da sua vida, você é todo sentimento. E que nunca, acredite, NUNCA esteve no controle.

2 comentários:

  1. Uii Cris....amei esse post!!! Ahh se todas as pessoas soubessem disso!!! É tão mais simples quando entendemos que não podemos controlar o que sentimos!!! Ficar o tempo todo querendo ser racional, só faz mal a nós mesmos!! É mais facil aceitar nossos sentimentos do que lutar contra eles!!! É melhor perder o controle, perder o juizo, perder as estribeiras.... e depois se encontrar novamente....mais forte e mais experiente!! Isso é viver!!!

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  2. Cris, a Pri falou tudo e mais um pouco aí em cima!!!!

    quem sabe um dia eu aprenda a viver assim.. até lá, continuo me privando no menor sinal de sentimento...

    te amo!

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