segunda-feira, 31 de agosto de 2009

... O que eu não quero

3. Insegurança

Quem está mais perdido nos dias de hoje? Eles, ou nós?
Até que ponto nossa independência nos prejudicou?
Existe um mito de que as mulheres modernas estão deixando os homens confusos, sentindo-se inúteis e sem saber como agir. E que isso, automaticamente, está dificultando as relações amorosas.
Eu sempre entro em discussões por causa desse tema, e por isso achei válido discuti-los com vocês, para tentar entender o que é mito, e o que é realidade.
Eis a minha opinião sobre o tema.
SIM, existe um problema na comunicação entre homens e mulheres, porém, sempre existiu. Não é uma característica dos relacionamentos modernos, mas dos relacionamentos em geral. A falha nessa comunicação é muito simples... Se nem nós mesmos nos compreendemos, como se fazer entender pelo outro?
A posição de submissão, que nos foi imposta por muito tempo obviamente tornava as relações mais “fáceis”. Para o outro, claro. Afinal, não tínhamos voz de decisão e nem direito a discussão. E a matemática dessa situação torna tudo mais simples. Um manda, o outro obedece. É realmente muito fácil lidar com alguém quando as suas necessidades e vontades pessoais vem em primeiro lugar. Quando uma pessoa se doa completamente, a outra vive comodamente com essa situação.
Mas o que acontece quando a relação deixa de ser unilateral e passa a ser bilateral? Quando uma das pessoas deixa de viver para o outro e passa a também querer viver para si? Atrito. Desentendimento. Brigas. Incompreensão mútua e mágoas. Muitas mágoas.
É uma atitude egoísta? Talvez até seja. Mas ao longo dos anos, o que viemos aprendendo, é que ninguém é feliz pelo outro. Que não somos seres incompletos que precisam do outro ser para sermos completos. E começamos a tentar ser feliz sozinhas, nos realizarmos da melhor maneira possível para crescer e evoluir como ser humano.
E onde o homem entra nisso tudo? Em absolutamente tudo.
A busca pela individualidade, pela própria personalidade, não tem intenção de afastar o outro, nem de torná-lo inútil. Pelo contrário. A intenção é ser uma pessoa completa para ter o que acrescentar ao outro. Ensinar e não só aprender, errar, acertar, criar, imaginar... Gerar a troca.
Então por quê raios isso nos afasta deles? Por quê tanta insegurança, como se nós tivéssemos nos transformado nas verdadeiras Louva-Deus, que querem devorá-los depois de utilizar? E como agir, para que eles continuem se sentindo nossos provedores e porto-seguro? Como ser independente e segura, sem castrá-los? E como eles devem agir, para nos compreenderem e aceitarem, de uma maneira pacífica, sem perder a masculinidade e virilidade, que nos faz ter atração?
Sempre fui cética quando me falavam das diferenças entre os sexos. O sexo frágil, o sexo forte...
Pra mim era tudo bobagem. Pensava que eram dois seres humanos, com inseguranças, medos, sonhos e necessidades. Mas observando relacionamentos a minha volta, inclusive alguns meus, comecei a pensar se eu não estaria sendo inocente. A velha história da mulher que ganha mais que o homem e acaba com a sua auto-estima. A mulher que é segura demais e derruba o homem, que se sente inferior. A mulher bem sucedida que faz o homem se sentir diminuído. A mulher muito sexual que deixa o homem inseguro e apavorado com a traição... E as histórias não terminam nunca!
Acho que por fim, a resposta é algo muito mais sutil. Talvez eu possa soar até simplista demais. Mas não existem atitudes e fórmulas certas. Existem pessoas que dividem os mesmos valores, e homens que constroem uma segurança interna, baseada em si mesmos e não em seus feitos sexuais, profissionais e amorosos.
Quando eles entendem que as mulheres não estão em busca do homem perfeito, e sim, de um homem completo e com defeitos e qualidades que o fazem único, eles descobrem que podem conquistar o mundo. E nada, nem ninguém consegue convencê-los do contrário. E que mulher não admira um homem completo? E que homem não acha atraente uma mulher que o admira?
E assim surge o começo de um equilíbrio em toda essa confusão... Afinal, “Niguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem.”

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Somente o amor não concretizado pode ser romântico?


Com meus 15 anos eu era o oposto da Vicky. Menina, romântica, apaixonada, levemente sonhadora... e tudo por causa dele: Juan Pão. Ahhh, o Juan Pão era um máximo... vai saber o que eu via nele... enfim, passei uns 4 anos atrás desse ser que cada hora queria algo diferente. Uma hora queria ficar comigo, outra hora não, outra hora sim, etc. Depois de um, dois anos apaixonada pelo Juan Pão, me transformei em uma desacreditada, durona, que odeia romance. Fomos ficar 4 anos apos a gente se conhecer e eu ser a maior idiota atrás dele (ele sabia... nunca fui muito boa para disfarçar essas coisas). E ai? Ai que eu... desencanei!

No ano passado, a já então Vicky conhece o Juan Casamento. Ele era perfeito... bonito, inteligente, bem de vida, charmoso, bom de pegada, melhor caráter que eu já tinha visto... pra casar mesmo. Melhor de tudo? Me achava um máximo, me ligava, queria sair comigo... e no fim das contas, eu o achava tão perfeito que chegava a ser um tédio! Mas insisti... depois de 3 meses saindo com ele, comecei a me apaixonar... e nessa hora, ele desistiu! Fiquei louca, insistia em correr atrás dele que me dava esperanças... Imaginava o quanto nós seríamos felizes juntos, o quanto perfeitos éramos um para o outro. Como eu ia deixar o homem da minha vida ir embora sem mais nem menos?!

A frase do titulo é uma das principais frases do filme Vicky Cristina Barcelona. E resume bem tudo que eu disse nesse tópico. O amor romântico, idealista, só pode ser aquele que não segue adiante, que não vemos os defeitos dos outros. Afinal, idealizamos a pessoa, o cenário que viveríamos juntos, que até os defeitos dela é tudo que a gente queria na nossa vida e tudo de mais suportável que existe! Esses dois casos que eu contei aqui, são os típicos idealizados por uma pessoa... idealizei uma pessoa durante quatro anos, desenhei que ele era um homem e, quando tive a oportunidade de conhecê-lo, vi que não era nada daquilo. O romantismo acabou, assim como o que eu sentia por ele.

O segundo, eu ainda tenho comigo que é um homem maravilhoso mas que não combinava comigo... tenho uma visão romântica de nós dois e penso que talvez eu tenha cometido erros que fizeram com que a gente não desse certo. Mas confesso que só penso nas coisas boas, não penso em adversidades, e certamente não penso em brigas e nem em nós dois passando e sobrevivendo a uma crise.

O amor que é vivido junto nunca será romântico porque as pessoas não são perfeitas, não são 100% do tempo amáveis e o relacionamento é construído muito mais nas dificuldades e nos defeitos do que naquilo de bom que a outra pessoa tem. Já dizia Roberto Freire ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem”… e já dizia Maria Elenaonly unfulfilled love can be romantic.”

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

... O que eu não quero

2. Culpa

“...Escute...
Sei que é difícil acreditar quando dizem ‘sei como se sente’. Mas no meu caso, eu sei... Acontece que ele não estava tão apaixonado quanto eu imaginava. O que quero dizer é...
Eu sei como é se sentir extremamente pequena e insignificante. E como isso dói em lugares que você nem sabia que tinha em você. E não importa quantos cortes de cabelo você faz, quantas academias você freqüenta, ou quantas garrafas você toma com suas amigas. Você continua indo pra cama todas as noites, repassando todos os detalhes e se perguntando o que você fez de errado. Ou como pôde ter entendido tudo errado? Ou como por aquele momento, pensou que era feliz?
Até se convence de que um hora ele vai perceber tudo e baterá na sua porta. E depois de tudo, ainda que essa situação tenha durado muito tempo, você vai para um lugar novo, e conhece pessoas que te fazem sentir útil de novo. E vai recompondo sua alma, pedaço a pedaço. E toda aquela confusão, os anos desperdiçados da sua vida, começam a desaparecer...”
[The Holiday – Iris Simpkins]

Esse trecho do filme “The Holiday” mexeu comigo mais do que o filme em si. Fala com simplicidade de um sentimento tão comum entre nós e, ao mesmo tempo, tão único. Porque quando você está passando por isso, jamais imagina que outra pessoa consiga entender e mensurar o que se passa ali dentro.
E a verdade, afinal de contas, é que todos nós já passamos por isso em algum momento... E desse momento, o que mais me marcou, foi o tema que resolvi pautar:
A culpa.
É um martírio interminável tentar entender, ou encontrar um culpado pelo fracasso de um relacionamento.
Quem disse que eu estava preparada para terminar? E será que em algum momento alguém fica preparado para isso?
A morte prematura do relacionamento possui uma mística única. O que era pra ser e não foi, causa uma estranha sensação de saudade... Saudade daquele que decidiu pelos dois que era melhor parar por ali, sem como e nem por quê. Apenas deixou no vácuo do silêncio a promessa de um sentimento novo.
Sem fim, sem adeus e com a dúvida pairando em nossas camas todas as noites, procurando respostas com o peito apertado e cheio de culpa...
Quando uma relação tem começo, meio e fim, os pingos nos ‘is’ são mais claros e a certeza do “nunca mais” cria um muro entre as duas pessoas.
Um término sem fim, deixa arestas para nos assombrar, deixa a porta aberta, e causa a incômoda sensação de impotência, toda vez que ele resolve voltar...
E a sombra da culpa nunca nos abandona. Tentamos encontrar respostas em cada ato que cometemos, cada palavra que trocamos... Analisamos, comparamos, criamos hipóteses do que fizemos de errado e tentamos achar uma solução para cada uma delas. Mas o que corrói mais no final das contas, é compreender, que não existe razão, não existe por quê e principalmente, não existe culpado, para o fim de um sentimento, que não era para acontecer.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Aplicabilidade I da Lei da Sinceridade

O que faz um casinho virar algo mais sério? Eu acredito que é uma combinação de fatores. Química, compatibilidade de gênios, de ideologias, de vida... e o famoso timing. Concordo que ele é responsável por a maior parte dos insucessos de casinhos em potenciais. Ele e a química... mas o timing também sempre serve como uma grande desculpinha, tanto pra homens quanto para mulheres.

Mas por que damos desculpas? Acredito que são vários motivos, como o medo de se arrepender, a vontade de querer manter a pessoa na prateleira e a falta de coragem em dizer a verdade para evitar mágoas e dor de cabeça. Mas evita mágoa mesmo? Acredito que não... quantos caras te enrolaram que não acabaram te magoando? De uma certa maneira, todos. E quantos te falaram a verdade? Quase nenhum.

Semana passada vivi uma cobrança por conta de um carinha que eu saí. A gente se conheceu na internet e começamos a conversar... dava aquela ansiedade de falar o tempo todo com a pessoa. Tinha visto foto e, apesar de eu não ter achado grandes coisas, pensei q valia a pena conhecê-lo pelo caráter que ele havia demonstrado. Nos encontramos em uma sexta, ficamos, foi legal... mas na hora eu já saquei que nós tínhamos um estilo muito diferente para relacionamento. Quem me conhece sabe que eu sou demorada pra me abrir pra alguém e me sinto sufocada quando ficam no meu pé (inclusive, eu já havia dito isto pra ele em uma das nossas longas conversas). E sim, ele era um desses. Queria sair no sábado, no domingo, na segunda e na terça. Havíamos combinado de sair na quarta-feira, mas eu desmarquei, alegando que minha família de outra cidade estava nos visitando. Nos dias seguintes, foi um Deus nos acuda... ele tentou causar ciúmes, me perguntou diversas vezes se eu tinha ficado com um amigo meu, etc. Aquilo para mim foi o fim! Dali em diante, peguei um bode tremendo e passei a tratá-lo com indiferença.

Pois bem. Burro que não é, me questionou sobre... eu resolvi adotar a sinceridade máxima. Falei tudo que eu realmente pensava, que ele havia me sufocado, me bodiado, e tinha até acabado com o clima para uma amizade. Óbvio que ele rebateu minhas críticas com desculpas e ficou bravo comigo... Mas isso tudo passará um dia.

Mesmo com a reação trabalhosa que ele deu, para um relacionamento que nem existia, acho que a sinceridade foi a melhor coisa que adotei. Ele conseguiu se liberar de mim e vai poder continuar atrás de outras mulheres que combine mais com ele e com o que ele procura. E eu? Eu consegui a minha paz e liberdade, sabendo que eu fui honesta e não iludi ninguém. É a Lei da Sinceridade que a Cristina falou no post anterior. Que os homens também vejam seus benefícios e adotem este mando... Assim, existirão mulheres menos iludidas (ou até mesmo desiludidas) e todos acharão a sua paz, assim como eu.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O que eu não quero

Começando pela premissa do, “o que quero, não sei, mas sei o que não quero”, algumas coisas que, nós mulheres, simplesmente NÃO QUEREMOS:

1. Mentira

Estamos saturadas das mesmas velhas atitudes. Por quê não uma nova abordagem ao tema. Chamaremos então de “Lei da Sinceridade”.

Ontem no trabalho, conversando com Vicky, entramos de novo num assunto persistente (Juan Mala), que vem sido abordado há algum tempo.

Eis um resumo da ópera: Vi conheceu um amante do seu time de futebol através de um fórum na internet. Menina moderna, bem resolvida. Trocaram MSN, bateram altos papos. Resolveram sair e... yata yata yata… Essa é uma história para um próximo post. Mas a questão era que Vicky perdeu o interesse. Mas como fazê-lo entender que nada mais rolaria?

Pensei muito em sugerir uma abordagem diferente. Se o cara gosta do jeito desencanado dela de ser, talvez uma atitude grude resolva o problema. “Ok, vamos inverter o jogo, liga cem vezes pra ele durante o jogo, chora no telefone, diz que ele é seu herói, invente nomes de filhos. Ele vai ter que sumir.” Mas, fiquei com medo da sugestão. Muito arriscado, vai que o maluco gosta? É como cavar a própria cova.

Foi quando começamos a questionar. Por quê lutamos tanto para não falarmos a verdade? O que tem de tão errado em ser sincero? Hoje em dia somos tão abertas, realistas, fortes... Por quê não jogar a real? E mais do que isso, quando a verdade é demais? Achar o equilíbrio para ser sincera, sem machucar ninguém é a medida certa. E não é isso que queremos afinal? Eis que surge a idéia da Lei.

Eu teria poupado milhares de anos-luz se alguns Juans da minha vida tivessem apenas sido sinceros comigo.

Que tal um: “Poxa, eu sinto muito, foi legal, mas não rolou.”

Ou então: “Não estou afim, não quero, não gosto, não combina..”

Ou até mesmo: “Conheci outra pessoa… Para mim terminou…”

Nossa, eu posso pensar em trinta motivos para cada cara que eu não quis mais sair. E no fundo é muito simples, geralmente não clicou. E para que manter a pessoa em banho-maria, quando nós não gostamos de nos sentir os verdadeiros estepes...?

Quantas vezes você conheceu alguém e ele veio te dar o cartão dele e você pensou: "Ok, muito obrigado, espere sentado a minha ligação."? E por quê não dizer? Não com a delicadeza de um rinoceronte, mas um " Muito obrigado, fico lisonjeada, mas não vou te ligar..." é tão terrível assim?

Então adotei a Lei totalmente. Não tenho mais paciência pra “Saudades... quanto tempo...” e outros muitos blábláblás, que não levam a nada. Nos fazem perder tempo quando podíamos estar em outra há eras. Quando um Juan antigo reaparecer com esse papinho furado de que está trabalhando muito, de que teve uma viagem pra Aspen, de que foi internado pra tratamento de choque e outras vertentes, por favor minhas caras, vamos levantar de dizer: “ Meu bem, Lei da Sinceridade, por favor. Não me leve a mal, mas você não me deve nada, e eu também não... então vamos parar com o papo furado, pois quem sabe assim um dia seremos bons amigos”.

Afinal, uma boa dose de sinceridade nunca fez mal a ninguém.

Próximo post:
2. Culpa

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vicky Cristina Barcelona por Vicky


Mulheres. Poucos homens são capazes de compreendê-las. Até nós mesmas ficamos confusas com tanta inconstância. Mas, de vez em quando, vem alguém e nos surpreende com a leitura de personagens femininas, exatamente o que aconteceu com Woody Allen, que foi extremamente feliz com Vicky Cristina Barcelona.

Desenhou 3 mulheres de personalidades diferentes, mas que no fundo, podem retratar uma mulher só. Quem não tem seus dias centrados de Vicky, seus momentos de querer largar tudo e buscar por algo mais como a Cristina ou surtos loucos como o da Maria Elena? Todas nós! Nascemos insatisfeitas e, por isso, temos tantas facetas. Ariscas, amorosas, apaixonadas, bravas, carentes, seguras... encaramos essas emoções como sapatos específicos para cada ocasião.

Porém, no fundo de tudo isso, temos uma essência que nunca pode ser negada... qual é a minha? Ah, eu sou a Vicky, com certeza. A identificação foi instantânea com a personagem. Analiso cada pedacinho de um relacionamento, mesmo que seja um beijo em uma balada no cara mais gato que tem. Levanto os prós e contras, identifico possíveis cenários, etc. Com isso, passo a procurar sempre aquilo que é o mais seguro e mais concreto, proibindo que as situações rolem naturalmente. Admiro a Cristina pela sua paixão, mas tento ser sempre mais controlada. Sou conformada? Não, não gosto de ver assim... sou realista. Sei as minhas limitações e das pessoas próximas de mim. Posso remoer um amor passado, mas sei que, no futuro, descobrirei que tomei a melhor decisão. Tá bom vai, nem sempre. Eu erro. E muito.

Neste blog, eu e a Cris pretendemos abordar não só a maneira com que as mulheres (até porque nós duas somos mulheres um tanto quanto atípicas) se relacionam com o sexo oposto e sim, na vida profissional, com amigos, colegas, etc. A idéia é mostrar como nossas vidas formam as pessoas que somos com esta cidade maravilhosa de fundo, São Paulo.

Sejam bem-vindos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vicky Cristina Barcelona por Cristina

Muitas pessoas assistiram o filme que inspirou este blog, e tiveram um olhar minimalista sobre o tema. Viagens, paixões, amores... traição e ciúme. Tudo que vemos em qualquer filme e no cotidiano de todo mundo.

Mas para mim não. Para mim é muito mais do que isso. Vejo as relações humanas e os conflitos internos nitidamente em cada personagem. Me identifiquei com todos, afinal, ali eram todos a representação de uma pessoa só, nós mesmo e nossas infinitas personalidades. Claro que cada um de nós tem uma lado da personalidade mais marcante que outro. Pra mim, sem dúvida é o lado Cristina.

A faminta por sensações, apaixonada, aberta, que tenta não nutrir preconceitos por aquilo que desconhece. E ela sabe que desconhece muitas coisas.  Está  sempre em busca do novo, a eterna insatisfeita. Mas quem não é afinal? Cristina se arrisca e aos poucos vai descobrindo, as duras penas, o que não quer. Mas é um excelente começo, não?

O lado Vicky é o racional. O simplista, o conformado. Sente frio na espinha só de pensar em sair da linha. Quer evitar complicações e por isso planeja sua vida nos mínimos detalhes. Mas ali em seu íntimo, ela sabe. Também é uma insatisfeita, por tudo aquilo que ela não é, por tudo aquilo que sabe que não vai viver. Por não saber nem o que quer e nem o que não quer.

Juan é nosso representante do sexo masculino. É aquele que te faz pensar, que mexe com coisas no seu íntimo que nem você sabia que tinha. E você gosta. E você odeia que tenha gostado, mas não consegue evitar...

E por fim, eis que surge a Maria Elena. Ah Maria Elena...

Ela cativa as pessoas. É o personagem mais forte. Ela é a paixão, a irracionalidade pura, o tesão, o medo, o ciúme, o amor tórrido que derruba a gente e dilacera o coração. E quem ousa não gostar dela? É simplesmente apaixonante.

Aqui nós vamos questionar, intrigar, contar e ouvir histórias de quem é e sempre será uma insatisfeita crônica. Porque somos mulheres, somos intensas e estamos em busca de algo mais, tentando descobrir, pelo menos, o que não queremos.

Bem vindo, Cristina, muito prazer.